
A derrubada de Sauron e a vitória na Guerra do Anel trouxeram o alvorecer de uma nova era de paz para os habitantes da Terra-média. As adaptações cinematográficas dirigidas por Peter Jackson encerram a jornada com a emocionante partida de Frodo e Gandalf nos Portos Cinzentos. No entanto, o desfecho definitivo dos integrantes da Sociedade do Anel se desdobrou de maneiras distintas — intercalando momentos de grande glória, deveres políticos e perdas dolorosas.
Embora as telas mostrem o fim da grande ameaça, a vida de cada um dos protetores do Anel Continuou. A seguir, detalhamos como os heróis e seus aliados mais próximos conduziram seus caminhos após os eventos centrais da narrativa registrada por J.R.R. Tolkien.
A Linhagem dos Reis: Aragorn, Arwen e a Memória de Boromir
Com o término dos conflitos, Aragorn II foi coroado como Rei Elessar, assumindo o trono do Reino Reunificado de Gondor e Arnor. Sua regência durou 120 anos ao lado de Arwen. Juntos, tiveram um filho chamado Eldarion — a criança vista por Arwen em uma de suas visões — e várias filhas. O reinado não foi isento de confrontos, exigindo que Elessar comandasse expedições militares contra os Haradrim e os Povos do Leste.
Seguindo a tradição dos antigos governantes dos homens, Aragorn tomou a decisão consciente de entregar sua vida na Casa dos Reis quando chegou o momento oportuno, permitindo a sucessão de seu filho ao trono. Essa escolha trouxe um desfecho trágico para Arwen. Como havia escolhido a mortalidade por amor, ela viveu apenas mais um ano após o falecimento do marido, vindo a morrer desolada sob as árvores de Lothlórien.
A Herança de Gondor
Boromir, tombado aos 41 anos durante o confronto contra os Uruk-hai de Saruman ao tentar proteger Merry e Pippin, permaneceu vivo na memória de seu povo. Seu irmão, Faramir, recuperou-se dos ferimentos da guerra, casou-se com Éowyn e teve um filho batizado como Elboron, perpetuando o nome de sua casa.
Os Portadores do Anel e a Viagem ao Oeste
O destino dos hobbits que carregaram o Um Anel foi marcado pela busca por paz interior. Frodo Bolseiro sofreu durante anos pelos traumas físicos e espirituais causados pela lâmina do Rei Bruxo no Topo do Vento e pelo veneno de Laracna. Para buscar auxílio em sua recuperação, embarcou rumo às Terras Imortais, estabelecendo-se na ilha de Tol Eressëa. Lá, reencontrou seu tio Bilbo. Ambos mantiveram sua condição de mortais, não recebendo a vida eterna destinada aos Elfos.
Gandalf, por ser um Istari e um espírito Maia oriundo dos momentos iniciais da criação, retornou ao Oeste na companhia de Frodo. Nas obras literárias, seu cavalo Scadufax também o acompanhou no navio. Nas terras sagradas dos Valar, o mago reassumiu sua forma original e o nome de Olórin.
Anos mais tarde, Samwise Gamgi também teve o direito de navegar para o Oeste por ter sido um dos portadores do Anel. Antes dessa viagem, Sam construiu uma grande família no Condado ao lado de Rosie Cotton, dando origem à linhagem dos Gardner. Ele herdou o livro de memórias de Frodo e serviu como Prefeito do Condado por sete mandatos consecutivos. Após o falecimento de sua esposa, entregou os escritos à sua filha Elanor e partiu dos Portos Cinzentos.
O Destino de Merry e Pippin no Condado e Além
Os outros dois hobbits da comitiva tiveram papéis administrativos e sociais de grande relevância na Terra-média:
- Meriadoc Brandebuque (Merry): Assumiu o posto de Senhor de Buckland, casou-se com Estella Bolger e é provável que tenha tido um filho. Aos 102 anos, realizou sua última grande viagem ao lado de Pippin.
- Peregrin Tûk (Pippin): Ocupou posições políticas de destaque durante cinco décadas no Condado. Casou-se e teve um filho chamado Faramir, que mais tarde se uniu a Douradinha, filha de Sam.
Em seus últimos anos de vida, Merry e Pippin viajaram para Rohan a fim de se despedirem do Rei Éomer. Na sequência, partiram para Gondor, onde faleceram. Ambos foram sepultados no reino e, após a morte de Aragorn, seus restos mortais foram dispostos ao lado do soberano.
A Aliança Histórica entre Legolas e Gimli
A união entre o elfo Legolas e o anão Gimli permaneceu forte após o término da guerra. Gimli liderou seu povo na fundação de um novo assentamento nas Cavernas Cintilantes, localizadas no Abismo de Helm, e auxiliou os homens na reconstrução de suas cidades, criando inclusive novos portões de mithril para Minas Tirith.
Contudo, a admiração de Gimli pela Senhora Galadriel — que lhe presenteara com três fios de cabelo em Lothlórien — o levou a abandonar as riquezas materiais. Com o desejo de rever a elfa, Gimli aceitou o convite de Legolas para navegar rumo ao Oeste, tornando-se o único anão na história a desembarcar nas Terras Imortais.
Legolas, por sua vez, ajudou no reflorestamento das terras devastadas da Terra-média ao lado de seus companheiros. Contudo, o chamado do mar, que sentira pela primeira vez em Gondor, nunca desapareceu. Após a passagem do Rei Elessar, o príncipe elfo construiu sua própria embarcação e partiu com Gimli em direção aos Portos Cinzentos.
Conclusão
O encerramento das trajetórias da Sociedade do Anel revela os diferentes caminhos tomados por cada integrante após a derrota do mal. Enquanto Aragorn liderou Gondor ao lado de Arwen até sua morte planejada, os hobbits Merry e Pippin dividiram seus anos entre a liderança no Condado e o descanso final ao lado do rei. Frodo, Gandalf e posteriormente Sam navegaram rumo às Terras Imortais para encontrar paz, destino que também uniu Legolas e Gimli em um feito inédito para um anão. Assim, as histórias individuais desses heróis consolidaram a reconstrução da Terra-média e fecharam um dos capítulos mais marcantes de sua história.