GTA 6 a 60 FPS nos consoles é “extremamente improvável”, apontam especialistas em tecnologia

A promessa de um dos lançamentos mais aguardados da indústria dos games vem acompanhada de definições claras sobre o desempenho técnico nas plataformas atuais. Após analisar detalhadamente o material de exibição estendida de Grand Theft Auto 6 os especialistas em tecnologia do grupo Digital Foundry concluíram que jogar o título a 60 quadros por segundo (FPS) no PlayStation 5 e no Xbox Series X/S é algo “extremamente improvável”.

A demonstração divulgada com 27 minutos de duração — disponibilizada na Netflix, no YouTube e em arquivo bruto diretamente pela Rockstar — apresentou o jogo rodando a uma taxa fixa de 30 FPS. Segundo a análise técnica, essa escolha de desempenho reflete um objetivo deliberado do estúdio: sacrificar a fluidez de 60 FPS em troca de uma densidade visual e de uma complexidade de simulação sem precedentes no hardware atual.

O foco na fidelidade visual e na densidade do mundo

A decisão de fixar o jogo em 30 FPS permitiu que a equipe de desenvolvimento levasse o nível de detalhamento dos cenários e personagens a patamares inéditos. A análise da Digital Foundry destaca que todos os sistemas do jogo — da renderização de materiais à simulação do ecossistema urbano — foram projetados em torno do limite de 30 quadros por segundo.

Entre os pontos técnicos de maior destaque na prévia, foram observados avanços significativos na física e na renderização dos personagens:

  • Simulação de cabelo avançada: Os fios de cabelo da protagonista Lucia apresentam movimentação independente, com resposta realista à inércia, atraso de movimento e dinâmica completa da raiz às pontas.
  • Sombreamento de pele: A renderização dos tecidos corporais inclui efeitos de suor e maquiagem aplicados de maneira convincente sobre a pele das figuras na tela.
  • Coerência do ecossistema: O mundo aberto mantém um nível elevado de densidade de elementos e materiais interativos em grande escala.

Para viabilizar esse nível de acabamento, as concessões feitas pela desenvolvedora aparecem principalmente na fluidez das animações e na qualidade da imagem, mantendo a estabilidade do universo do jogo como prioridade.

Análise de resolução e o cenário no PS5 Pro

Em termos de resolução, a análise indica que a renderização interna no PlayStation 5 parece operar de forma nativa a 1440p, sem evidências diretas do uso de taxa de resolução dinâmica (DRS) ou de tecnologias de upscaling como FSR 2 e TAA. Essa escolha técnica resulta em alguns artefatos visuais observáveis, como leve suavidade na imagem, serrilhados geométricos em detalhes finos e cintilação em certas estruturas.

Por outro lado, o desempenho exibido mostrou um controle rigoroso do tempo de renderização de cada quadro, travado em 33,3 milissegundos. Ao contrário de lançamentos anteriores da franquia em gerações passadas, não foram identificadas quedas na taxa de quadros no material analisado.

Quanto ao PlayStation 5 Pro, console mais potente da Sony, a Digital Foundry avalia que um salto transformador para 60 FPS também não deve acontecer. A tendência mais provável para o modelo Pro é a utilização da margem de processamento extra para aprimorar a qualidade final da imagem e ampliar a implementação de recursos de ray tracing, mantendo a taxa de quadros base em 30 FPS.

Os desafios do processador e o desempenho no PC

A limitação para alcançar taxas de quadros mais altas está diretamente ligada ao equilíbrio entre processador (CPU) e placa de vídeo (GPU). Para atingir 60 FPS, o sistema precisa processar e renderizar um quadro a cada 16,7 milissegundos — metade do tempo disponível na taxa de 30 FPS (33,3 ms).

Como Grand Theft Auto 6 utiliza amplamente a CPU para gerenciar a inteligência artificial, a física e os sistemas complexos do mundo aberto — tudo otimizado originalmente para a arquitetura Zen 2 dos consoles de atual geração —, praticamente não resta margem de processamento livre para dobrar a velocidade de atualização dos quadros.

Essa dependência da CPU deve se refletir também na futura versão para PC. Embora a plataforma de computador deva oferecer suporte a resoluções mais altas, tecnologias modernas de upscaling como o DLSS, maiores distâncias de renderização e ray tracing aprimorado, alcançar 60 FPS estáveis será um desafio considerável. A análise aponta que evitar gargalos de processamento no PC provavelmente exigirá processadores de altíssimo desempenho, como os modelos recentes da linha Ryzen X3D.

A análise técnica de GTA 6 deixa claro que a Rockstar optou por usar toda a capacidade dos consoles atuais para maximizar a escala, os detalhes e a simulação do mundo aberto, em vez de priorizar a fluidez dos 60 FPS. Essa escolha estabelece um projeto focado em riqueza gráfica e complexidade sistêmica a 30 FPS, definindo o que os jogadores devem esperar do desempenho do título quando ele chegar ao PlayStation 5 e ao Xbox Series X/S no final deste ano.