Como as dúvidas sobre Red Dead Redemption 2 definiram os protagonistas de GTA 6

O sucesso de crítica e público de Red Dead Redemption 2 hoje posiciona o título de 2018 entre as obras mais prestigiadas da indústria dos videogames. No entanto, o processo de desenvolvimento do jogo foi marcado por incertezas internas dentro da Rockstar Games. Após o lançamento avassalador de Grand Theft Auto V, que introduziu uma dinâmica acelerada com três protagonistas alternáveis, o estúdio temia que o ritmo mais lento e introspectivo da jornada de Arthur Morgan pudesse afastar ou entediar o público.

Em entrevista à revista francesa TroisCouleurs, Rob Nelson — produtor de Red Dead Redemption 2, ex-diretor de arte de GTA 5 e atual chefe de desenvolvimento e codiretor da Rockstar North — detalhou as preocupações da equipe na época e explicou como as lições aprendidas naquele projeto servem de pilar estrutural para o aguardado GTA 6.

O receio do ritmo cadenciado e a escolha por Arthur Morgan

A transição entre o estilo de jogo de GTA 5 e a proposta de Red Dead Redemption 2 representou uma mudança radical de tom. Enquanto a aventura de Michael, Trevor e Franklin oferecia trocas constantes de perspectiva e ação ininterrupta, o título de faroeste apostou em uma narrativa mais pessoal, focada na derrocada da gangue de Dutch van der Linde.

Segundo Nelson, a equipe de desenvolvimento temia que os jogadores, habituados à agilidade e à variedade de GTA 5, achassem entediante focar a experiência em apenas um personagem. Durante a produção, a possibilidade de permitir a alternância entre diferentes membros da gangue de Dutch chegou a ser considerada pela equipe e cobrada por parte dos jogadores.

Apesar das dúvidas, a Rockstar optou por manter um único protagonista. A decisão permitiu que o estúdio aprofundasse a construção psicológica de Arthur Morgan, criando um arco narrativo maduro com forte conexão emocional e escolhas do jogador que influenciavam diretamente o tom de sua trajetória.

A influência de Red Dead Redemption 2 na estrutura de GTA 6

A consolidação da narrativa de Arthur Morgan demonstrou ao estúdio que a profundidade do mundo aberto e a conexão emocional com os personagens não precisavam ser sacrificadas na busca por mecânicas mais amplas. Essa constatação tornou-se o ponto de partida para o planejamento de GTA 6.

Para o novo capítulo da franquia Grand Theft Auto, a Rockstar buscou um meio-termo entre a interatividade detalhada de Red Dead 2 e o sistema de múltiplos protagonistas de GTA 5. Antes de definir o formato final de GTA 6, o estúdio avaliou diferentes abordagens estruturais:

  • Testes com quatro protagonistas: A equipe considerou criar um quarteto de personagens jogáveis intercaláveis, mas descartou a ideia por avaliar que a dispersão prejudicaria o foco narrativo.
  • Adoção de uma dupla: O estúdio optou por centralizar a história em dois personagens que formam um casal (ou possuem o potencial para tal), permitindo explorar a evolução do relacionamento do par ao longo da aventura.

Conforme explicado por Rob Nelson, o objetivo central da equipe para GTA 6 foi transferir a capacidade de interação e o peso emocional alcançados em Red Dead Redemption 2 para um formato focado na dinâmica de dois protagonistas, buscando superar o que o estúdio havia realizado nos títulos anteriores.