Star Wars: Zero Company atinge 1 milhão de cópias estimadas em meio a severa crise no estúdio

Estimativas de mercado divulgadas por Rhys Elliott, analista da Alinea Analytics, indicam que Star Wars: Zero Company alcançou a marca de 1 milhão de cópias vendidas desde o seu lançamento, gerando uma receita aproximada de US$ 50 milhões. No entanto, o resultado comercial considerado sólido para o segmento de estratégia por turnos contrasta com um cenário crítico nos bastidores da desenvolvedora Bit Reactor.

De acordo com os dados compilados pela consultoria, o computador foi o principal motor de vendas do projeto. A plataforma Steam concentrou 69,9% do total de unidades comercializadas. Nos consoles, a divisão ficou em 19,9% para o PlayStation e 10,2% para a linha Xbox (incluindo o ecossistema Xbox PC).

Concentração de público e barreiras de localização

A predominância do Steam reflete o perfil do estúdio desenvolvedor. A Bit Reactor foi fundada por veteranos da Firaxis Games conhecidos pelo trabalho na franquia XCOM, o que atrai prioritariamente a base de jogadores tradicionais de PC. Contudo, os dados apontam uma forte disparidade geográfica na aceitação do título:

  • América do Norte e Europa: concentram cerca de 90% da base ativa de usuários do jogo.
  • Ásia: responde por menos de 5% do total de jogadores.

Essa assimetria é reflexo do alcance histórico da franquia na região e de decisões de suporte do próprio jogo. Enquanto a média global de avaliações positivas de Zero Company no Steam é de 82%, o índice cai para 57% entre os usuários chineses. As principais críticas na região citam a ausência de dublagem e a falta de opções adequadas de localização.

Crise financeira e redução drástica da equipe

Embora as estimativas apontem uma receita bruta de US$ 50 milhões, a Bit Reactor enfrentou graves dificuldades financeiras antes mesmo da estreia da matéria-prima do estúdio. Conforme reportado pelo veículo Game File, a empresa esgotou a maior parte dos seus recursos na reta final do desenvolvimento.

Como consequência, cerca de 80% da equipe foi colocada em licença temporária não remunerada antes do lançamento oficial. Apenas um grupo reduzido de profissionais permaneceu em atividade para atuar no suporte pós-lançamento e na correção de falhas técnicas do jogo.

Em declaração concedida ao Game File, a Bit Reactor afirmou que a medida representou uma decisão difícil tomada antes que houvesse clareza sobre o desempenho comercial do título, garantindo que a ação não foi uma imposição da distribuidora Electronic Arts ou da Disney, detentora da marca Star Wars.

Ausência de dados oficiais

A Electronic Arts não divulgou números oficiais de vendas nem comentou publicamente o desempenho comercial de Star Wars: Zero Company. Após passar por uma reestruturação que a tornou uma empresa de capital fechado, a distribuidora não possui mais a obrigação legal de reportar dados financeiros trimestrais ao mercado.

O ritmo de atualizações do jogo também reflete o momento do estúdio. O último patch de correções para Zero Company foi lançado em 10 de setembro, sem novas previsões ou comunicados oficiais divulgados pela equipe desde então.