
O cofundador e produtor do Studio Ghibli, Toshio Suzuki, manifestou-se pela primeira vez sobre a onda de imagens geradas por inteligência artificial que replicavam o estilo visual característico das animações do estúdio. Em declarações dadas ao jornal japonês Asahi, o executivo revelou que decidiu não responder aos intensos pedidos de imprensa na época por prever que o fenômeno seria apenas uma tendência passageira da internet.
A visão do Studio Ghibli diante da febre da IA generativa
Com o avanço das ferramentas de inteligência artificial generativa, a recriação sintética de estilos artísticos consolidados tornou-se uma das principais tendências das redes sociais. Enquanto diversos estúdios e profissionais da indústria de animação se mobilizaram contra grandes empresas de tecnologia — cobrando proteção de direitos de imagem e regras contra a reprodução não autorizada de traços autorais —, o Studio Ghibli adotou uma postura de neutralidade.
De acordo com Suzuki, a liderança da produtora japonesa não se sentiu ameaçada pelos geradores automatizados de imagens. O produtor destacou que previa que o público perderia o interesse pela estética gerada por algoritmos em pouco tempo, avaliação que se confirmou com a diminuição do volume desse tipo de conteúdo nas redes.
Testes diretos com IA e os limites da criatividade
Apesar do ceticismo quanto ao impacto duradouro dessas tendências, Toshio Suzuki revelou ter experimentado a tecnologia por curiosidade pessoal. O executivo utilizou ferramentas de inteligência artificial para testar a elaboração de pequenos roteiros.
A experiência, no entanto, reforçou sua visão de que os modelos computacionais possuem limitações claras quando aplicados à criação artística:
- Facilidade técnica: Suzuki reconhece que a inteligência artificial permite gerar animações e materiais visuais com extrema facilidade;
- Ausência de significado: O produtor avalia que os resultados finais gerados por algoritmos não se mostram significativos ou narrativamente interessantes;
- Insubstituibilidade humana: A capacidade de construir histórias com profundidade emocional permanece restrita à sensibilidade dos criadores humanos.
Hayao Miyazaki e o ritmo de trabalho no estúdio
A respeito do diretor Hayao Miyazaki, Suzuki explicou que o cineasta nem sequer tomou conhecimento da onda de reproduções do estilo Ghibli por inteligência artificial. O motivo é o método de trabalho do diretor, que costuma se isolar do ambiente digital e das dinâmicas da internet durante seus processos criativos.
Sobre o futuro das produções da casa, o cofundador confirmou que Miyazaki continua trabalhando em novas ideias. No entanto, Suzuki manteve um tom cauteloso sobre a viabilidade de um novo longa-metragem completo, pontuando as incertezas relativas à resistência física do lendário diretor para enfrentar as exigências de uma grande produção de animação.