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Computação quântica entra em nova fase com corrida tecnológica em 2026

 


IBM, Microsoft, Amazon, Google e NVIDIA, além de empresas especializadas como Quantinuum, IonQ e QuEra

Computação quântica entra em uma nova fase com gigantes da tecnologia acelerando investimentos

Durante muito tempo, a computação quântica foi tratada como uma tecnologia distante, restrita a laboratórios e experimentos acadêmicos. Em 2026, porém, o cenário começa a mudar.

Grandes empresas de tecnologia estão aumentando os investimentos, novos computadores quânticos estão sendo desenvolvidos e algumas companhias já trabalham para transformar os chamados qubits em sistemas capazes de resolver problemas científicos que continuam difíceis para computadores tradicionais.

O movimento envolve nomes como IBM, Microsoft, Amazon, Google e NVIDIA, além de empresas especializadas como Quantinuum, IonQ e QuEra. O objetivo comum é transformar uma tecnologia experimental em uma ferramenta computacional capaz de complementar os sistemas clássicos.

Por que a computação quântica é diferente?

Computadores convencionais trabalham com bits, que representam informações como 0 ou 1.

Na computação quântica, a unidade fundamental é o qubit. Graças às propriedades da mecânica quântica, um qubit pode ser preparado em uma combinação de estados, permitindo que determinados algoritmos processem problemas de maneira fundamentalmente diferente dos computadores tradicionais.

Isso não significa que um computador quântico seja simplesmente um computador convencional muito mais rápido.

A vantagem aparece em determinados tipos de problemas, especialmente aqueles envolvendo simulação de sistemas físicos, química, materiais, otimização e outras tarefas matemáticas específicas.

O grande desafio é construir máquinas suficientemente grandes e confiáveis para que essa vantagem possa ser utilizada em aplicações reais.

A corrida agora é pela correção de erros

Um dos maiores obstáculos da computação quântica está nos próprios qubits.

Eles são extremamente sensíveis a perturbações e podem apresentar erros durante os cálculos. Por isso, aumentar simplesmente a quantidade de qubits físicos não resolve o problema.

A indústria busca construir qubits lógicos, que utilizam vários qubits físicos combinados para representar uma unidade de informação mais resistente a erros.

É justamente nessa direção que diferentes empresas estão concentrando seus esforços.

A AWS, por exemplo, anunciou uma colaboração ampliada com a QuEra para levar ao Amazon Braket o sistema Libra, projetado para computação quântica tolerante a falhas. A previsão divulgada pelas empresas é disponibilizar, em 2028, uma máquina capaz de executar um milhão de operações quânticas em centenas de qubits lógicos.

IBM coloca bilhões de dólares no desenvolvimento

A IBM também está acelerando seus planos.

Em junho de 2026, a companhia anunciou um investimento de mais de US$ 10 bilhões ao longo de cinco anos em computação quântica. O dinheiro será destinado a pesquisa e desenvolvimento, fabricação, expansão da infraestrutura, aquisições e crescimento do ecossistema.

A empresa estabeleceu como uma de suas metas chegar a um computador quântico tolerante a falhas em grande escala até 2029.

A IBM também afirma estar trabalhando com centenas de organizações que já utilizam seus computadores quânticos para pesquisas em áreas como saúde, materiais e finanças.

Isso representa uma mudança importante na estratégia do setor: em vez de tratar a computação quântica apenas como pesquisa de longo prazo, as empresas estão tentando encontrar aplicações práticas enquanto continuam aumentando a capacidade dos sistemas.

IBM coloca bilhões de dólares no desenvolvimento

Microsoft aposta em uma arquitetura diferente

A Microsoft segue outro caminho tecnológico.

A empresa desenvolve computadores quânticos baseados em qubits topológicos e utiliza o chip Majorana 2 em sua pesquisa.

Em setembro, a Microsoft abriu um novo centro de pesquisa quântica em Maryland, nos Estados Unidos, em parceria com a Universidade de Maryland.

O espaço também permitirá que a DARPA realize testes e avaliações independentes do hardware quântico da Microsoft. A iniciativa busca avaliar o potencial da tecnologia para sistemas de maior escala.

A estratégia mostra como a competição não acontece apenas pela quantidade de qubits. Diferentes empresas estão tentando resolver o problema fundamental da computação quântica por caminhos distintos.

Amazon quer colocar computadores quânticos na nuvem

Para a Amazon, uma das peças centrais dessa estratégia é o Amazon Braket.

A plataforma permite que pesquisadores e empresas tenham acesso a diferentes tecnologias de computação quântica por meio da nuvem.

A parceria com a QuEra pretende levar sistemas tolerantes a falhas para esse ambiente, permitindo que aplicações quânticas sejam combinadas com infraestrutura tradicional de computação de alto desempenho e inteligência artificial.

Essa integração pode ser especialmente importante porque os computadores quânticos não devem substituir os computadores convencionais.

Em muitos cenários, a tendência é que os dois tipos de processamento trabalhem juntos: computadores clássicos cuidariam de determinadas partes da tarefa, enquanto o processador quântico seria utilizado nos trechos em que sua arquitetura apresenta vantagem.

IonQ aproxima computação quântica e GPUs

Outro movimento interessante envolve a IonQ e a NVIDIA.

A IonQ anunciou que seu computador quântico Superion 256 será o primeiro processador quântico instalado no NVIDIA Accelerated Quantum Research Center.

A proposta é estudar a integração direta entre sistemas quânticos e a infraestrutura de computação acelerada da NVIDIA. Entre as áreas de pesquisa estão química computacional, ciência dos materiais e descoberta de medicamentos.

A aproximação com GPUs é relevante porque a computação quântica provavelmente dependerá de uma combinação de diferentes tipos de processamento.

Em vez de existir um único computador responsável por tudo, sistemas futuros poderão combinar CPUs, GPUs e processadores quânticos em uma mesma infraestrutura.

O mercado também começou a prestar atenção

O interesse não está limitado aos laboratórios.

A abertura de capital da Quantinuum, em junho de 2026, tornou-se um dos sinais mais visíveis de que a computação quântica começou a despertar maior atenção do mercado.

A empresa levantou US$ 1,68 bilhão em sua oferta pública inicial, com ações negociadas na Nasdaq sob o código QNT.

O movimento coloca empresas especializadas em computação quântica diante de uma nova realidade: além de demonstrar avanços científicos, elas precisam mostrar que conseguem transformar essa tecnologia em produtos e serviços economicamente viáveis.

A indústria farmacêutica está entre as áreas mais interessadas

Uma das aplicações mais citadas para os computadores quânticos está na simulação de moléculas.

Computadores tradicionais enfrentam dificuldades para representar com precisão determinados sistemas quânticos complexos. Uma máquina quântica, em teoria, pode representar esses fenômenos de maneira mais natural.

Isso pode ter impacto em áreas como descoberta de medicamentos, desenvolvimento de novos materiais e química.

A expectativa não é substituir os supercomputadores existentes, mas criar novas ferramentas para problemas que continuam difíceis mesmo com o avanço da computação tradicional.

Ainda existe um longo caminho

Apesar dos avanços, a computação quântica ainda está longe de ser uma tecnologia de uso cotidiano.

Os equipamentos são complexos, caros e extremamente sensíveis. Além disso, ainda existem diferentes arquiteturas competindo entre si, incluindo sistemas supercondutores, íons aprisionados, átomos neutros e outras abordagens.

Também não existe atualmente uma única tecnologia considerada definitivamente vencedora.

O próprio setor continua trabalhando em questões fundamentais como redução de erros, escalabilidade, fabricação dos componentes e desenvolvimento de algoritmos capazes de demonstrar vantagens práticas.

Por isso, anúncios sobre milhões de operações ou centenas de qubits lógicos devem ser interpretados dentro do contexto de desenvolvimento da tecnologia, e não como indicação de que computadores quânticos já substituem supercomputadores convencionais.

Uma nova corrida tecnológica está se formando

A computação quântica entrou em uma fase diferente.

IBM está ampliando investimentos e sua infraestrutura; Microsoft aposta em qubits topológicos; AWS e QuEra trabalham em sistemas tolerantes a falhas; IonQ aproxima processadores quânticos de GPUs da NVIDIA; e empresas como a Quantinuum estão buscando transformar a tecnologia em negócios de escala.

Ainda não está definido qual arquitetura dominará o setor ou quando os computadores quânticos alcançarão uma vantagem ampla sobre as máquinas tradicionais.

O que já mudou é o nível de investimento e de desenvolvimento. A tecnologia deixou de ser apenas uma promessa distante de laboratório e passou a ser tratada por grandes empresas como uma possível nova camada da infraestrutura computacional.

Para o usuário comum, os efeitos provavelmente não aparecerão primeiro na forma de um novo computador pessoal. Eles podem surgir indiretamente, em áreas como medicamentos, materiais, logística, inteligência artificial, finanças e serviços de nuvem.

A verdadeira transformação da computação quântica, portanto, pode acontecer longe da tela do computador — nos bastidores das tecnologias que usamos todos os dias.

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