Na primeira metade do século XX, o engenheiro americano Elis F. Stenman, especialista no projeto de máquinas para fabricação de clipes de papel, decidiu solucionar um problema incômodo da época: o descarte massivo de jornais impressos. O resultado desse experimento de reciclagem e técnica construtiva foi a criação da Paper House, uma edificação erguida com milhares de impressos que permanece de pé há mais de 100 anos em Rockport, no estado de Massachusetts, Estados Unidos.
A técnica construtiva das paredes de papel
Embora a proposta pareça frágil à primeira vista, a casa apoia-se em princípios estruturais bem definidos. A edificação não é feita exclusivamente de papel: a estrutura principal, o piso e o telhado foram construídos com madeira tradicional, garantindo a sustentação central do imóvel.
O diferencial da engenharia de Stenman reside no fechamento das paredes, formadas por aproximadamente 100 mil jornais dobrados e comprimidos em 215 camadas. Para unir o material impresso e transformá-lo em painéis rígidos, o engenheiro desenvolveu um adesivo próprio, composto por:
- Água;
- Farinha;
- Cascas de maçã.
A proteção contra umidade, chuvas e degradação do papel é garantida por uma camada externa de verniz impermeável. Para manter a integridade da estrutura ao longo do tempo, o revestimento protetor recebe reaplicações regulares até os dias de hoje.
Mobiliário e acervo impresso nas estruturas
O experimento do engenheiro não se limitou às paredes exteriores. O interior do imóvel foi composto quase totalmente por peças mobiliárias fabricadas a partir de papéis de jornal moldados e colados. Entre os itens presentes no acervo estão:
- Mesas e cadeiras funcionais;
- Prateleiras de parede;
- Um relógio feito inteiramente de papel impresso.
Elementos que exigiam maior resistência térmica ou mecânica receberam abordagens mistas. O piano da casa possui estrutura de madeira com revestimento de papel impresso, enquanto a lareira, construída em tijolos, também recebeu acabamentos decorativos utilizando a mesma técnica.
Um arquivo histórico congelado no tempo
A preservação dos papéis permite que os visitantes façam a leitura direta das páginas integradas aos móveis e às paredes. Como o material impresso não foi destruído no processo de compressão, manchetes e textos jornalísticos da década de 1920 continuam visíveis, incluindo registros da campanha presidencial americana de Herbert Hoover.
A preservação da estrutura transformou o local em um museu gerenciado pela própria família de Stenman. A visitação pública ocorre em períodos específicos do ano:
- Período regular: da segunda sexta-feira de abril até o último domingo de outubro;
- Horário de funcionamento: das 10h às 17h;
- Abertura extraordinária: fins de semana de novembro, sujeitos às condições climáticas;
- Ingressos: US$ 3 para adultos e US$ 1 para crianças de 6 a 10 anos.
