O futuro do cinema em risco? Streaming, Netflix e a possível transformação definitiva das salas de exibição



A ascensão do streaming, liderada por gigantes como Netflix

O futuro das salas de cinema voltou ao centro do debate global com a chegada de 2026. Em um cenário de rápidas transformações tecnológicas e mudanças no comportamento do público, a indústria cinematográfica enfrenta talvez o maior desafio de sua história. A ascensão do streaming, liderada por gigantes como Netflix, aliada à queda de público nas salas tradicionais, levanta uma pergunta inquietante: estamos testemunhando o começo do fim da experiência de ir ao cinema?

Rumores recentes apontam que a Netflix estaria interessada em reduzir drasticamente a janela de exibição nos cinemas para apenas 17 dias antes de levar seus filmes ao streaming. Ao mesmo tempo, especulações sobre uma possível compra da Warner Bros. por cerca de US$ 72 bilhões reforçam a sensação de que Hollywood está à beira de uma mudança estrutural sem precedentes.

Streaming vs cinema: uma disputa cada vez mais desigual

Durante décadas, o modelo de negócios do cinema foi claro: lançamento exclusivo nas salas, semanas — ou até meses — de exibição e, só depois, outras formas de distribuição. Esse modelo começou a ruir com a popularização do streaming, que oferece conveniência, preços acessíveis e consumo sob demanda.

Hoje, muitos espectadores preferem esperar que um filme chegue às plataformas digitais em vez de pagar ingressos caros, enfrentar filas e lidar com horários fixos. Essa mudança de hábito tem impactado diretamente a bilheteria global, inclusive de grandes franquias.

Marvel e a queda dos sucessos garantidos

Nem mesmo o Universo Cinematográfico da Marvel, que dominou as bilheterias por mais de uma década, consegue mais garantir o mesmo nível de sucesso. Filmes recentes têm apresentado desempenho abaixo do esperado, sinalizando um desgaste do modelo baseado exclusivamente em grandes lançamentos nos cinemas.

Esse cenário reforça a ideia de que o público está mais seletivo e menos disposto a comparecer às salas apenas pelo apelo da marca.

Leonardo DiCaprio e o medo do cinema virar nicho

Leonardo DiCaprio, um dos atores mais respeitados de Hollywood, também expressou preocupação com o futuro do cinema. Em entrevista ao jornal The Sunday Times, o ator questionou se o público ainda tem apetite para a experiência cinematográfica tradicional.

Segundo DiCaprio, as salas de cinema correm o risco de se tornarem espaços de nicho, comparáveis a bares de jazz: locais culturais importantes, mas frequentados por um público cada vez mais restrito.

Filmes adultos e o desaparecimento das salas

DiCaprio destacou que documentários praticamente desapareceram dos cinemas e que dramas têm permanência cada vez mais curta em cartaz. Muitos espectadores preferem aguardar o lançamento no streaming, alterando completamente a lógica de consumo.

Para ele, a grande questão é se essa transição representa apenas uma fase ou uma mudança definitiva no comportamento do público.

One Battle After Another e o risco financeiro de Hollywood

O próprio DiCaprio sentiu na prática os desafios desse novo cenário. O filme One Battle After Another, lançado em 2025, foi amplamente elogiado pela crítica, mas arrecadou cerca de US$ 205 milhões mundialmente.

Segundo a Variety, a Warner Bros. precisava de aproximadamente US$ 300 milhões para cobrir os custos totais de produção e marketing, resultando em um prejuízo estimado em cerca de US$ 100 milhões.

Esse caso evidencia um problema crescente: filmes de qualidade, estrelados por grandes nomes, já não garantem retorno financeiro apenas com exibição nos cinemas.

Netflix, Warner Bros. e o impacto da consolidação

A possível aquisição da Warner Bros. pela Netflix tem causado apreensão em Hollywood. A união de uma das maiores bibliotecas de conteúdo do mundo com a principal plataforma de streaming poderia acelerar ainda mais o declínio das salas tradicionais.

Relatórios indicam que a Netflix estaria interessada não apenas nas franquias consagradas, mas também no potencial de uso de inteligência artificial para criação, adaptação e distribuição de conteúdos no futuro.

O papel da inteligência artificial no entretenimento

A utilização de IA na indústria audiovisual levanta debates éticos e criativos. Enquanto alguns enxergam inovação e redução de custos, outros veem riscos à originalidade e ao trabalho humano.

Esse fator adiciona mais uma camada de incerteza ao futuro do cinema tradicional.

James Cameron e o alerta sobre as sequências

James Cameron, diretor da franquia Avatar, também demonstrou preocupação com o futuro das salas. Embora Avatar: Fire and Ash tenha ultrapassado a marca de US$ 1 bilhão em bilheteria global, o resultado ficou abaixo dos filmes anteriores.

Em entrevista ao podcast The Town with Matthew Belloni, Cameron falou sobre a chamada “fadiga de sequências”, afirmando que o público tende a rejeitar continuações, salvo exceções muito específicas.

Streaming, pandemia e queda de público

Cameron destacou ainda o impacto combinado do streaming e da pandemia de Covid-19. Segundo ele, o público atual representa cerca de 75% do que frequentava os cinemas em 2019.

O diretor classificou uma eventual compra da Warner Bros. pela Netflix como um possível desastre para o cinema tradicional.

O cinema vai acabar ou apenas se transformar?

Apesar do cenário preocupante, declarar o fim do cinema pode ser precipitado. A indústria já sobreviveu à chegada da televisão, do VHS, do DVD e agora do streaming. Em todas essas fases, o cinema precisou se reinventar.

O que parece inevitável é o fim do modelo tradicional como o conhecemos. O futuro deve envolver lançamentos híbridos, janelas menores e uma separação mais clara entre filmes pensados para salas e produções voltadas ao streaming.

Experiência premium como saída

Muitos cinemas têm investido em salas premium, poltronas reclináveis, som imersivo e serviços diferenciados para transformar a ida ao cinema em um evento especial.

Essa estratégia busca justificar o custo do ingresso e oferecer algo que o streaming doméstico não consegue replicar totalmente.

O papel do público na sobrevivência das salas

No fim das contas, o futuro do cinema depende diretamente do público. As escolhas de consumo determinarão se as salas continuarão sendo espaços relevantes ou se se tornarão locais de nicho cultural.

A grande pergunta permanece: o cinema conseguirá se reinventar a tempo ou estamos assistindo ao início de uma nova era em que o streaming dominará definitivamente o entretenimento audiovisual?

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