The Blood of Dawnwalker unifica a liberdade de Zelda e a narrativa de The Witcher em um novo RPG de peso

The Blood of Dawnwalker unifica a liberdade de Zelda e a narrativa de The Witcher em um novo RPG de peso

O estúdio Rebel Wolves, formado por veteranos da CD Projekt Red que trabalharam em The Witcher 3: Wild Hunt, lançou seu projeto de estreia: The Blood of Dawnwalker. O RPG de mundo aberto combina a força narrativa característica dos trabalhos anteriores dos desenvolvedores com uma estrutura de exploração que lembra a liberdade oferecida por The Legend of Zelda: Breath of the Wild. Na história, o jogador assume o papel de Coen, um guerreiro que se divide entre a habilidade com lâminas durante o dia e a condição de vampiro ao cair da noite.

Uma corrida contra o tempo em Vale Sangora

Ambientado na região de Vale Sangora, o enredo começa durante a fuga de Coen e de sua irmã, Lunka, perseguidos por guardas. Prestes a serem mortos, os dois são salvos por Brencis, um vrakhir (nome dado aos vampiros no universo do game) que comanda o território ao lado de seus três generais: Xanthe, Ambrus e Bakir. Embora Brencis cure Lunka de uma contaminação pela peste, a benevolência cede espaço à tirania, com o vilão passando a exigir sangue dos habitantes.

A trama principal se estabelece quando a família do protagonista é capturada e Coen é transformado em vrakhir. A partir disso, o jogo impõe um limite narrativo de 30 dias para resgatar os parentes antes que Brencis seja coroado. Apesar da premissa de tempo contado trazer referências a clássicos como The Legend of Zelda: Majora’s Mask, o período de um mês dentro do jogo é amplo o suficiente para permitir que a exploração ocorra sem atropelos.

Liberdade de exploração e riqueza narrativa

O grande trunfo de The Blood of Dawnwalker está no formato de seu mundo aberto e no desenho das missões. A navegação pelo mapa recompensa a curiosidade do jogador, permitindo escalar torres durante o período noturno para identificar pontos de interesse e liberar atividades pelo cenário.

A integração entre enredo principal e conteúdo secundário acontece de forma fluida. Durante a exploração, é possível encontrar e confrontar figuras importantes da história principal, como os generais de Brencis, de maneira orgânica ao acessar locais específicos, a exemplo dos telhados e do interior de uma igreja na cidade central. O mundo ganha vida através de personagens bem construídos que orbitam a jornada de Coen, como a ogro das montanhas Ocha, a ex-freira Anca e o aliado Crex.

Sistema de combate e evolução em três caminhos

O sistema de combate de The Blood of Dawnwalker adota uma mecânica de ataques e defesas direcionais (com variações em quatro sentidos: cima, baixo, esquerda e direita), inspirada em jogos como Kingdom Come: Deliverance e For Honor. Embora as primeiras horas de confronto possam parecer travadas ou punitivas, a fluidez melhora conforme novas habilidades são desbloqueadas.

A evolução do protagonista é dividida em três árvores de habilidades distintas:

  • Bruxo: focada em capacidades investigativas e suporte utilitário;
  • Espadachim: voltada ao aprimoramento do combate com armas brancas e agilidade;
  • Vampiro: focada em poderes sobrenaturais derivados da transformação em vrakhir.

Essa estrutura de progressão oferece opções variadas para enfrentar chefes e adaptar o estilo de jogo ao longo das dezenas de horas de campanha.

Identidade visual, influências e desempenho técnico

A herança dos desenvolvedores se faz notar em diversos sistemas do jogo. O uso do "Modo Foco" para rastrear pistas durante investigações espelha a Visão de Bruxo vista em The Witcher 3. Menus, interface e a própria dinâmica de estruturação de certos objetivos trazem forte familiaridade para quem jogou o título da CD Projekt Red, o que garante estabilidade de design, embora flerte com a falta de originalidade em determinados momentos.

No aspecto técnico, a experiência no modelo base do PlayStation 5 apresenta pontos de atenção. Durante a jornada, ocorrem fechamentos inesperados do jogo (crashes) que exigem a repetição de trechos de missões. A movimentação dos personagens também demonstra certo travamento mecânico. Em termos de taxa de quadros, o título foi planejado com bloqueio inicial em 30 FPS, recebendo o suporte a 60 FPS por meio de uma atualização lançada no primeiro dia (patch day one).

Conclusão

The Blood of Dawnwalker se consolida como uma das adições mais relevantes ao gênero de RPG de mundo aberto dos últimos anos. Ao aliar um universo sombrio bem escrito a uma estrutura de exploração que concede ampla liberdade ao jogador, o título de estreia da Rebel Wolves supera seus percalços técnicos e seus problemas iniciais de combate, entregando uma aventura rica e memorável em Vale Sangora.

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