
A reconstrução do Universo DC (DCU) promovida por James Gunn e Peter Safran trouxe uma abordagem atípica para a continuidade dos personagens no cinema. Em entrevista ao podcast The Suicide Squad: Is It Canon?, James Gunn revelou que a presença e a história pregressa de Arlequina no novo universo dependem diretamente da decisão da atriz Margot Robbie em reprisar ou não o papel.
Segundo o co-CEO da DC Studios, Arlequina é uma das figuras mais complexas de se justificar dentro do novo panorama narrativo. A intenção de contar com a personagem em produções futuras está confirmada, mas o formato de sua introdução e o reaproveitamento de eventos passados permanecerão em aberto até que a atriz defina sua posição.
O critério de canonicidade condicional no DCU
Diferente de uma reinicialização total ou de uma sequência direta, o novo DCU opera sob um modelo seletivo. Enquanto produções e personagens específicos transicionaram para a nova fase — como é o caso de Peacemaker —, o histórico de Arlequina envolve três longas-metragens anteriores: Esquadrão Suicida (2016), dirigido por David Ayer; Aves de Rapina (2020); e O Esquadrão Suicida (2021), dirigido pelo próprio Gunn.
Gunn explicou que, caso Margot Robbie decida retornar, a equipe criativa adaptará a narrativa interna do DCU para explicar a presença da versão já conhecida da personagem:
- Com o retorno de Margot Robbie: O histórico construído nos filmes anteriores, especialmente em relação a O Esquadrão Suicida, poderá ser adaptado para se encaixar no novo cânone.
- Sem o retorno de Margot Robbie: A DC Studios escalará uma nova atriz para interpretar Arlequina, ignorando os eventos passados sem a obrigação de dar continuidade à versão anterior.
O obstáculo narrativo do Coringa e do Batman
Além da disponibilidade de elenco, a introdução de Arlequina no DCU enfrenta uma barreira estrutural: a ausência estabelecida de seu principal antagonista e par romântico, o Coringa.
A trajetória da personagem nos quadrinhos e no cinema é fortemente ligada ao vilão de Gotham City. Embora o Batman já tenha sua existência confirmada no novo universo — com uma breve aparição registrada na animação Creature Commandos —, o Coringa ainda não foi introduzido e não possui presença confirmada na nova cronologia até o momento.
A falta dessa base dificulta a justificativa da origem ou do estado atual de Arlequina sem que o contexto do Coringa precise ser explicado simultaneamente.
Mudança de patamar na carreira de Margot Robbie
Outro fator apontado por Gunn para a incerteza quanto ao retorno de Robbie é a mudança no status da atriz na indústria cinematográfica. Desde sua última interpretação como Arlequina, Robbie protagonizou o sucesso global Barbie (2023) e assumiu novos projetos de destaque, como a adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes (interpretando Catherine Earnshaw) e a prequela de Onze Homens e Um Segredo.
Gunn reconheceu que a atriz pode ter encerrado seu ciclo com a personagem do universo de quadrinhos, reiterando que a escolha final cabe exclusivamente a ela.
Avanços na escalação do Batman e cronograma do DCU
Paralelamente às definições sobre Arlequina, a DC Studios avança nos bastidores da pré-produção de seus projetos centrais. Gunn confirmou que o estúdio está se preparando para iniciar o processo de escalação do ator que interpretará o Batman do DCU.
O planejamento do estúdio segue com o desenvolvimento dos próximos títulos da franquia. O cronograma estabelecido inclui Man of Tomorrow, anunciado como a continuação do filme Super-Homem, com previsão de lançamento apontada para 2027.