
O ecossistema de robótica do Japão é frequentemente associado a conceitos exóticos no setor de serviços, como o famoso Henn na Hotel e seus recepcionistas automatizados em formato de dinossauro. No entanto, uma nova iniciativa em Kyoto reforça uma aplicação diferente para os robôs no atendimento ao público: o uso da telepresença voltado para a inclusão social e profissional de pessoas com limitações severas de mobilidade.
Trata-se do OrySNACK Kyoto, um estabelecimento com abertura agendada para 4 de dezembro na cidade de Kyoto. No local, os drinks serão servidos com o auxílio dos robôs chamados OriHime. A principal particularidade do empreendimento é que essas máquinas não operam de forma autônoma e nem dependem de inteligência artificial para interagir com o público; elas são inteiramente pilotadas por seres humanos à distância.
Telepresença em vez de inteligência artificial
Em um momento em que grande parte da indústria de tecnologia prioriza a automação completa por meio de IA para substituir postos de trabalho, a empresa japonesa de robótica Ory Labs aposta em um conceito focado na intermediação humana. O projeto OriHime foi concebido originalmente para ajudar estudantes impossibilitados de ir presencialmente às escolas por questões de saúde, permitindo que acompanhassem a rotina e mantivessem contato com colegas por meio de controle remoto.
A expansão dessa tecnologia para o mercado de trabalho transformou o robô em uma ferramenta de trabalho remoto acessível. O sistema de controle dos robôs OriHime foi projetado para exigir o mínimo de esforço físico, permitindo que a pilotagem seja realizada até mesmo por operadores que estejam deitados.
Segundo os desenvolvedores, essa flexibilidade nos controles possibilita a contratação de pessoas diagnosticadas com condições médicas graves, como:
- Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA);
- Atrofia Muscular Espinhal (AME);
- Distrofia muscular;
- Lesões medulares.
Dessa forma, a máquina serve como um avatar de acessibilidade, garantindo oportunidades de trabalho remunerado para quem não consegue sair de casa por razões de saúde ou mobilidade.
Escolha de Kyoto e interação com o público
A escolha da cidade turística de Kyoto para a abertura do OrySNACK responde à necessidade de proporcionar diversidade de contatos sociais aos operadores dos robôs. Por ser um polo turístico internacional, a localidade atrai visitantes de diversas nacionalidades, idades e culturas.
Essa dinâmica permite que as pessoas responsáveis pelo comando dos robôs tenham interações diárias ricas e variadas com o público, combatendo o isolamento social decorrente de restrições severas de saúde.
Inclusão real por meio da tecnologia
A iniciativa da Ory Labs exemplifica como a robótica pode atuar além do entretenimento ou da simples eficiência operacional. Ao substituir a automação por controle humano remoto, o projeto demonstra um modelo prático de como a tecnologia pode ser empregada para criar oportunidades profissionais para populações historicamente excluídas do mercado de trabalho presencial.