
O formato dos newsgames — produções interativas que utilizam a linguagem dos videogames para abordar investigações e fatos reais — ganhou um novo exemplar no debate político brasileiro. Inspirado visual e estruturalmente no clássico Super Mario World, o jogo paródia intitulado Super Flávio World viralizou no ambiente digital ao transformar investigações políticas em fases e mecânicas de plataforma.
Disponível de forma gratuita para navegação via browser, a produção foi lançada no período que antecedeu o primeiro turno das eleições de 4 de outubro. A proposta do projeto é utilizar a sátira e a linguagem de denúncia para recontar episódios polêmicos envolvendo o candidato à presidência e atual senador Flávio Bolsonaro (PL).
Estrutura de jogo e adaptação de denúncias
Em vez das tradicionais fases habitadas por inimigos do reino dos cogumelos, o game organiza suas etapas ao redor de acusações e polêmicas de repercussão pública. Entre os tópicos retratados ao longo dos níveis do jogo estão:
- O caso das rachadinhas: episódios referentes às apurações de repasses financeiros na Justiça;
- Conexões financeiras: citações a desdobramentos com o Banco Master;
- A sétima fase (Dark Horse): fase focada em referências ao empresário Daniel Vorcaro e ao patrocínio do filme Dark Horse.
Na sétima fase, a dinâmica do jogo parodia diretamente os elementos tradicionais dos títulos de 16 bits. O objetivo do jogador é montar no cavalo Dark Horse e seguir a nuvem que representa o Banco Master para alcançar a meta de US$ 24 milhões. Durante o percurso, a mecânica exige que o jogador se desviasse de agentes da Polícia Federal (PF). Caso o personagem receba um golpe enquanto está montado, ele perde o cavalo, mas não a vida no jogo.
O debate sobre foro privilegiado no game
Além da sátira interativa, o projeto inclui textos explicativos sobre a situação jurídica e política do candidato, cujo mandato atual no Senado Federal se estende até 31 de janeiro de 2027. O conteúdo do jogo destaca os dois cenários possíveis em relação ao foro privilegiado:
- Em caso de derrota eleitoral: sem mandato a partir de 2027, o político perde o direito ao foro privilegiado em processos alheios ao exercício do cargo, que passam para a Justiça comum;
- Em caso de vitória presidencial: segundo o texto do jogo, a Constituição Federal impede que o presidente seja responsabilizado, no decorrer do mandato, por atos estranhos ao exercício do cargo.
Ao unir a linguagem visual dos clássicos dos videogames à contextualização de temas jurídicos e políticos, o jogo se consolida como um exemplo de como a interatividade pode ser empregada na crítica social e no debate público.