
O lançamento da autobiografia In My Own Time: A Memoir trouxe detalhes inéditos sobre a carreira de Christopher Lloyd, ator norte-americano nascido em Connecticut e com mais de 50 anos de atuação nas telas. Aos 88 anos, o intérprete de Emmett "Doc" Brown dedicou parte relevante do livro às memórias da trilogia De Volta para o Futuro, franquia que permanece como um dos marcos mais definidores de sua trajetória artística.
Entre os relatos reunidos na obra, destaca-se uma lembrança específica das filmagens de De Volta para o Futuro 3. Embora a trilogia original permaneça sem reboots ou remakes 36 anos após a exibição do último capítulo, o encerramento ambientado no Velho Oeste guarda um momento de frustração técnica que acompanha o ator até hoje.
A cena de ação na locomotiva e o uso do dublê
No terceiro filme da série, o clímax da narrativa envolve uma sequência em que o personagem Doc Brown persegue a cavalo uma locomotiva a vapor em alta velocidade. O objetivo do personagem era emparelhar com o trem para alcançar Marty McFly e o automóvel DeLorean. Na gravação original, a orientação da produção exigia que o ator cavalgasse ao lado do vagão traseiro e fizesse a transição física do cavalo para o corrimão da composição.
Apesar da preparação, a equipe de produção e segurança orientou expressamente que Lloyd não executasse a manobra por conta própria:
- Orientação recebida: o ator foi instruído a não tentar se segurar ou saltar do cavalo para o trem em movimento sob nenhuma circunstância.
- Execução final: um dublê profissional foi escalado para realizar a passagem física entre a montaria e a locomotiva.
- Proximidade factual: Lloyd relatou que estava perto o suficiente para sentir as vibrações da locomotiva a vapor enquanto ela passava.
Mesmo reconhecendo o risco real da manobra e a possibilidade de um acidente grave, o ator afirma no livro que sente um aperto no coração sempre que revê a cena finalizada, mantendo a convicção pessoal de que conseguiria ter concluído a ação sem a necessidade do dublê.
Relação com a franquia e início hesitante
As memórias publicadas também contextualizam a relação inicial de Christopher Lloyd com o projeto concebido por Bob Gale. O ator revelou que, ao receber o roteiro do primeiro filme da franquia nos anos 1980, chegou a descartar o texto sem realizar a leitura completa antes de mudar de ideia e aceitar o papel do cientista.
Dentro da trilogia, De Volta para o Futuro 3 ocupa uma posição de carinho declarado por parte do ator, diferentemente da preferência habitual de parte do público pelos dois primeiros capítulos. O registro das memórias expõe os limites entre as exigências de segurança no set de filmagem e o desejo do elenco em executar as próprias cenas de ação em produções de grande porte.