
O Pokémon World Championships 2026, realizado em San Francisco, na Califórnia, marcou uma mudança de patamar no maior evento da franquia. Com a expectativa de receber 50 mil pessoas com credenciais únicas ao longo da programação — superando as 30 mil registradas em 2025 —, a The Pokémon Company International expandiu o formato tradicional do torneio. Para atender aos visitantes que não participam das competições de TCG, VGC, Pokémon GO e Pokémon Unite, a organização estreou a Pokémon XP, um espaço paralelo inteiramente voltado ao público geral.
Dimensão de Jogos Olímpicos e a criação da Pokémon XP
A dimensão da edição de 2026 impressiona pelos números. O campeonato reúne cerca de 2.700 competidores de diversas partes do mundo. Chris Brown, diretor global de Esports & Events da The Pokémon Company International, comparou esse volume de participantes ao total de atletas presentes nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão e Cortina d'Ampezzo, que reuniram 2.884 desportistas.
Para comportar a estrutura, o evento ocupa cerca de 93 mil metros quadrados no centro de convenções, além de realizar as etapas finais no Chase Center, ginásio do Golden State Warriors na NBA, e incluir um show de drones na programação. No entanto, o crescimento do circuito revelou que muitos acompanhantes — como familiares e amigos dos competidores — além de fãs de colecionáveis, do anime e de jogos casuais, não tinham interesse direto nas disputas nos palcos principais.
Segundo Brown, a ideia da Pokémon XP surgiu justamente da constatação de que nem todo fã busca a competição direta:
- Atendimento à comunidade: A intenção é dar suporte a toda a base de fãs, criando um ambiente para quem consome a franquia de outras formas;
- Integração de colecionadores e entusiastas: Espaço para troca de pins, cartas e interação social entre pessoas com interesses em comum;
- Experiências diversificadas: Atividades que permitem vivenciar a marca sem a pressão dos torneios oficiais.
Equilíbrio entre torneio e convenção
Manter o torneio competitivo e a Pokémon XP em sintonia exigiu planejamento estrutural. De acordo com a organização, a proposta foi garantir áreas próprias e conectadas para cada perfil de visitante, evitando que um ambiente parecesse secundário em relação ao outro.
A permanência da Pokémon XP nos próximos anos ainda passará por avaliação. A The Pokémon Company analisará pesquisas de satisfação e o comportamento dos visitantes antes de definir o futuro do formato. Contudo, separar a XP da estrutura do Mundial é visto como algo pouco provável por Brown, uma vez que a mesma equipe interna gerencia os eventos internacionais, e a divisão exigiria um aumento significativo no quadro de funcionários.
São Paulo como laboratório e entraves para um Mundial no Brasil
No cenário latino-americano, o Brasil desempenha papel relevante na estratégia da empresa. A próxima edição do Latin America International Championships (LAIC), realizada em São Paulo, deve atingir a marca de 10 mil participantes. A capital paulista funcionou como um campo de testes para a expansão de ativações da marca: iniciativas como estandes de parceiros, presença fortalecida da Nintendo e atrações voltadas para famílias foram testadas primeiro no Brasil antes de serem levadas para etapas na Europa e América do Norte.
Apesar do crescimento da comunidade local, a realização de uma edição do Mundial no Brasil enfrenta barreiras logísticas severas. Um dos principais obstáculos apontados pela organização é o deslocamento de conteúdos e atrações internacionais. A viagem de artistas do Japão para São Paulo, por exemplo, pode levar cerca de 35 horas, o que dificulta o transporte de programações especiais e torna viabilizar o Pokémon World Championships no país uma tarefa bastante complexa.
Conclusão
O Pokémon World Championships 2026 consolida o movimento da The Pokémon Company em transformar seu principal campeonato em uma convenção de grande escala. Ao introduzir a Pokémon XP e expandir a infraestrutura em San Francisco, a empresa responde ao crescimento de um público que ultrapassa o ecossistema dos eSports, enquanto utiliza mercados como o brasileiro para testar novos formatos de interação com os fãs.